Porta-voz do BE afirma que execução orçamental “desmente propaganda” do Governo

A porta-voz do BE afirmou hoje que os números da execução orçamental “desmentem a propaganda” da coligação governamental e que a eleição de Ferro Rodrigues para presidir à Assembleia da República “prova a instabilidade” dum Governo PSD/CDS.

Em Braga, numa sessão com militantes e simpatizantes, Catarina Martins teceu ainda críticas ao Presidente da Republica, que disse estar “em choque” e “desesperado”, e explicou que Cavaco devia ter esperado pela eleição do presidente da Assembleia da República (AR), realizada hoje e que elegeu para o cargo o socialista Ferro Rodrigues.

“Cavaco Silva tinha-se poupado à triste figura que fez ontem [quinta-feira] se tivesse aguardado pela eleição de hoje”, declarou.

Hoje, foram divulgados os números da execução orçamental, revelando que “afinal” a devolução da sobretaxa não será de 35%, como afirmou a coligação durante a campanha eleitoral, mas “apenas” de 9%lembrou a líder bloquista.

“Durante a campanha vinham dados da execução orçamental e o Governo garantia que iam devolver 35% da sobretaxa em 2016. Preferíamos às vezes não ter razão, mas não é que os números que conhecemos hoje dizem que, afinal, o que Governo dizia era mentira”, referiu.

No entanto, segundo Catarina Martins, que refere noticias dos jornais económicos, “o Governo tinha estes dados desde fevereiro”, pelo que a porta-voz bloquista acusou PSD e CDS de terem “escondido” os verdadeiros números da execução orçamental para “fazer uma campanha assente na mentira”.

Por isso, considerou, os números da execução orçamental fizeram desta sexta-feira um “bom dia” para o país: “o dia que se desmente toda a propaganda da campanha eleitoral”.

Além daqueles números, também a eleição de um socialista para segunda figura do Estado, derrotando nas urnas o candidato do PSD/CDS, Fernando Negrão, fez a alegria dos bloquistas.

“Face a estes resultados eleitorais [das eleições legislativas de 04 de outubro], que são tão cristalinos, PSD e CDS não têm a maioria para governar e, se alguém tivesse alguma dúvida, a eleição do presidente da AR, hoje, foi prova clara que PSD e CDS não têm condições para governar. Não é possível haver um Governo PSD e CDS porque eles não conseguem aprovar nada”, evidenciou.

Perante uma sala cheia, a porta-voz do BE garantiu ainda que não estão a ser “discutidos lugares” com o PS e PCP nas negociações com vista a uma solução de Governo, reafirmando os objetivos do bloco.

“Não discutimos um único lugar, nem teria sentido que o fizéssemos. A discussão que estamos a fazer é sobre política, compromissos concretos de defesa de salários, pensões, Estado Social”, enumerou.

Sobre aquelas negociações, Catarina Martins, escudando-se na “lealdade” para com as outras forças políticas pouco mais adiantou deixando apenas a fanatia que estão no bom caminho.

“Não estão todos os pontos fechados, mas temos um caminho feito que dá solidez a esta possibilidade de acordo”, assegurou.

Fão. Ex-vereador do CDS-PP de Braga acusado de burla de terrenos em Ofir

O advogado, e ex-vereador da Câmara de Braga do CDS-PP, Miguel Brito vai ser julgado por, alegadamente, se ter apoderado de 48 mil euros relativos a sinal de 10% do valor total da venda de quatro terrenos em Ofir, na freguesia da Vila de Fão, concelho de Esposende, avaliados em 480 mil euros.

O caso envolve também um antigo deputado do mesmo partido de Miguel Brito, José Martins Pires da Silva, cônsul honorário de Portugal em Orense, Galiza (Espanha), que é o queixoso.

Segundo o Ministério Público (MP), foi falsificada uma assinatura, acusando Miguel Brito de “burla qualificada”.

O ex-vereador centrista de Barga está acusado de “se ter feito passar como representante da empresa Seara do Outeiro, de Esposende, para conseguir convencer interessados na aquisição dos terrenos”, quando, e segundo o MP, o verdadeiro representa seria José Martins Pires da Silva.

Terá sido através de uma procuração, alegadamente, falsa que Miguel Brito conseguiu um sinal para o negócio.

Miguel Brito vai prestar declarações públicas sobre o caso no início do julgamento, guardando para essa altura a “sua” versão do factos.

Vila Cova. BE reclama financiamento para bombeiros “pelo menos igual” ao de 2016

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu, durante visita a Barcelos, que é preciso garantir “já” às corporações de bombeiros de todo o país um nível de financiamento “pelo menos igual” ao de 2016.

“É preciso garantir já um diálogo entre Governo e corporações de bombeiros, que garanta, pelo menos, um financiamento igual ao do ano passado e que garanta também que o material que ficou inutilizado possa ser reposto”, afirmou.

Falando na freguesia de Vila Cova, durante uma visita a uma área fustigada pelos incêndios em 2016, Catarina Martins sublinhou que este ano já ardeu mais do que no período homólogo do ano passado e “lembrou” que a época crítica de incêndios está a chegar.

“Este é o momento essencial para que sejam libertados os meios essenciais a que os bombeiros em todo o país funcionem”, afirmou.

Alertou ainda para o desgaste dos equipamentos dos bombeiros e para a escassez e envelhecimento dos recursos humanos e defendeu “uma política consequente, pensada a tempo e com período mais longo de implantação”, do ponto de vista das carreiras dos bombeiros, do financiamento das corporações e da organização da floresta.

Neste capítulo, enfatizou a necessidade de acabar com as “manchas contínuas” de eucaliptos.

“O que parece preocupante é que a área que ardeu no ano passado já está com eucaliptos a crescer de forma desordenada”, criticou.